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Festa Mariana do Mês
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Nossa Senhora das Dores

O frei Agostinho de Santa Maria, referindo-se aos motivos iniciais do culto aos sofrimentos de Nossa Senhora, que se distribuem por variadas invocações, da "Piedade", da "Soledade", do "Pranto", e, por fim, mais recentemente, das "Dores", escreve que "ainda que todos os mistérios que celebra a piedade cristã de Maria Santíssima, se devem ter mui presentes para a veneração e para a contemplação, este do seu pranto e as lagrimas que esta soberana Senhora chorou na morte do seu amado Filho, devemos fixar na nossa memória e estampar na nossa imaginação."
Explica ainda, que esse culto se inspira no Eclesiastes, que nos ensina que não devemos esquecer os suspiros e as lágrimas de nossa mãe:

GEMITUS MATRIS TUAE NE OBLIVIFICARIS.

O Apóstolo São Paulo, em uma das suas cartas, adverte também que "quem se compadecer do que padece, reinará com o mesmo que padecer."

 

Santa Isabel, Rainha da Hungria, teve uma aparição na qual São João Evangelista lhe revelou que, depois da Assunção da Virgem, lhe fora dada a visão do primeiro encontro da Mãe com o Filho, fora da terra. Segundo o autor que narrou a visão de Santa Isabel, "via o Discípulo Amado, em espírito, que a Mãe de Deus com seu amoroso Filho, falava das dores que alternadamente padecerem entre ambos no Calvário; o Filho na Cruz e a Mãe em seu coração e em sua alma. E que acabada a prática, pediu a Senhora ao Santíssimo Filho, àqueles que de suas dores, lágrimas e suspiros se compadecem e o tivessem na sua memória, lhes concedesse singulares privilégios e graças : e condescendendo o Senhor Jesus Cristo com a petição de sua Santíssima Ame, lhe concedeu quatro prerrogativas singulares que foram as seguintes :

1) O que invocar a Virgem Maria por suas dores e prantos, alcançará a dita de fazer penitência verdadeira dos seus pecados antes de morrer.
2) Em todas as suas adversidades e trabalhos, e com singularidade na hora da morte, terá a proteção e o amparo de Nossa Senhora das Dores.
3) O que por memória na das dores e prantos de Nossa Senhora, incluir em seu entendimento as da Paixão, gozará, no Céu, de prêmio especial e particular.
4) Quanto pedir a esta Soberana Senhora em ordem à sua salvação e utilidade espiritual lhe concederá."

Foi por isso que desde remotos tempos, muitas fervorosas devoções se dirigiram as dores de Maria, criando-se imagens históricas de seus sofrimentos. "A Piedade", representa a Senhora tendo seu Filho morto nos braços. Da Soledade, é Maria isolada, levantando os olhos ao Céu ou então para a Cruz tendo nos braços o Santo Sudário.

Somente nos começos do século dezoito a invocação de "Dores", começou a ter culto singular, sendo de notar que antes eram muito raras as invocações de Nossa Senhora das "Dores", em contraste com as demais que lhe relembram os seus sofrimentos de Mãe.

Segundo Senna Freitas em seu livro "Memórias de Braga", a invocação da Dores começou a ser pública e específica, desde que o Papa Benedito XIII em 22 de agosto de 1727 mandou que se rezasse sobre as "Dores de Nossa Senhora", determinando que nos Breviários, por adição fosse inscrita. O Papa Benedito XIV "notando a razão da festa, satisfaz as dúvidas que se poderiam opor." E sustenta o parecer de que Nossa Senhora não chorara estando junto da Cruz, e procura confirmar a razão do hino STABAT MATER de que assevera não ser composição nem de São Gregório Magno nem de São Boaventura, como disseram e afirmaram alguns autores, mas sim do Sumo Pontífice Inocêncio III. De qualquer modo, os artistas interpretaram a Senhora das Dores em pranto, tendo no peito atravessadas, ora uma, ora sete espadas, mas todos eles dando ao rosto da Mãe de Jesus uma expressão de "Angústia", o que fez com que durante muito tempo, antes da definição especifica de "Dores", denominava, o povo, a imagem da Senhora.

Coube a' Congregação do Oratório, em sua Casa de Braga, organizar em Portugal o culto de tão grata invocação, estabelecendo os oratorianos uma Confraria de "Servos de Nossa Senhora das Dores", que logo passaram a ser denominados de "Servitas", e que se transformou em Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário, pois que a imagem das Dores estava colocada junto de uma Cruz, onde estava crucificado o seu Filho. Era a tradução em arte, dos versos de Inocêncio III :

STABAT MATER DOLOROSA
JUSTA CRUCEM LACRIMOSA
DUM PENDEBAT FILIUS.

Estava a mãe Dolorosa
Ao pé da cruz lacrimosa
E o filho pendente dela.


Fonte: Nossa Senhora de Todos os Povos
http://www.geocities.com/Heartland/Bluffs/6737

 


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