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Artigo do Mês
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O sinal da Santa Cruz

 

Em Setembro celebramos, no dia quatorze, a solenidade da Exaltação da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vamos aprofundar o significado e a importância da Cruz e do Sinal da Cruz, bem como a fonte de bênçãos que ela pode ser em nossa vida cristã.

No grande império romano, que abrangia Israel, país do povo de Deus, onde Jesus viveu, foi crucificado e ressuscitou, a crucificação era o modo de levar à morte aqueles que cometiam gravíssimos crimes e eram condenados. A crucificação era a pena máxima para grandes criminosos. A cruz, portanto, era um instrumento de condenação e de morte. E Jesus foi condenado à pena máxima, a morrer crucificado.

A cruz redentora

O amor misericordioso de Deus Pai decidiu salvar a humanidade de seus crimes e pecados para dar-lhe a eterna salvação. Esta salvação foi realizada por meio de Jesus, que veio à humanidade, inaugurou o Reino de Deus, morreu, ressuscitou e voltou para os Céus. Mas por decisão de Deus Pai, seu Filho Jesus deveria “pagar” o perdão e a salvação da humanidade com o “preço” de sua vida, entregue até à morte, e morte pela cruz. Jesus morreu crucificado porque essa era a exigência de Deus Pai para salvar a humanidade. Que mistério!

É dessa forma que a cruz, antes instrumento de condenação à morte, agora se tornou instrumento de salvação eterna. Essa transformação misteriosa e maravilhosa ocorreu porque Jesus a abraçou e nela deu sua vida por amor ao Pai, à humanidade e a cada um de nós.

A cruz recebeu seu novo significado na pessoa de Jesus. Separada e independente de Jesus, ela não tem sentido algum. É em relação a Jesus, o filho de Deus e Salvador, que a cruz se tornou símbolo e fonte de salvação para todos os que n’Ele crêem e seguem Seus passos. A cruz tornou-se, assim, um sinal eloqüente do infinito amor de Jesus por nós e um símbolo muito significativo e muito usado pelos discípulos de Jesus.

 

Nosso sinal

A cruz é a “marca”, o “carimbo”, o “decalque”, o “logo-tipo” do cristão. Onde há uma cruz se quer lembrar Jesus, o Salvador. Onde há uma cruz se quer declarar a fé no crucificado, pelo qual se “recebe o perdão dos pecados” (Atos 3, 19) e a salvação eterna.

A cruz está presente onde há um discípulo de Jesus. Quando fomos batizados, bem no início da celebração, logo após os pais declararem o nome que dão ao filho, o ministro, os pais e padrinhos “traçam o sinal da cruz” na fronte do batizando. Qual o significado desse gesto? O batizando é “marcado”, “carimbado” com o sinal dos discípulos de Jesus. Imaginemos que a fronte do batizando fosse marcada com uma cruz bem vermelha (do sangue de Jesus) e que ela nunca mais pudesse ser apagada. Onde o batizado estivesse todos saberiam que ele é cristão, discípulo de Jesus. [...] é exatamente esse o significado da “imposição da cruz” no batismo. A partir de então, o batizado “pertence” a Jesus, e é salvo por Jesus crucificado e ressuscitado. A partir do batismo o cristão passa a ter direito de receber todas as graças de salvação e santificação, para toda sua vida cristã, alcançadas e merecidas por Jesus crucificado e ressuscitado.

Fonte de bênçãos

Deve-se compreender muito bem que as bênçãos de salvação e santidade não procedem da cruz, por si só, independente de Jesus crucificado. Ela não é um “amuleto mágico” que tenha uma “força positiva”, que opera sem necessidade de Jesus e da fé n’Ele. Toda bênção de salvação e de santificação procede de Jesus, que foi crucificado, e da fé que depositamos n’Ele, em sua Palavra, em seus sacramentos.

Compreendendo-se muito bem o que foi escrito acima, enetenderemos também o salutar uso devoto da Santa Cruz, quer de preferência com o corpo de Jesus crucificado, quer sem ele.

Encontramos a Cruz de Jesus em múltiplus lugares: na igrejas, capelas e oratórios, pendurada no pescoço das pessoas, nas casas católicas, nas salas de aulas de colégios católicos, nos quartos de hospitais católicos, sobre as sepulturas católicas, em lugares onde houve mortes trágicas, como em rodovias, nos salões de reunião do senado, das câmaras federais, estaduais e municipais, bem como nos salões da justiça federal, estadual e municipal. Bem verdade que, nesses últimos lugares, isto é, nos poderes públicos, a presença do crucificado é apenas uma tradição que se esvaziou completamente, e que é muitas vezes contradita gravemente pelo comportamento daquelas pessoas.

O uso devoto da cruz, iluminado pela fé em Jesus Cristo, filho de Deus e Salvador nosso, torna-se uma fonte constante de bênçãos divinas. Isso porque foi da morte de Jesus na cruz que veio a redenção da humanidade e de cada pessoa em particular. Na sexta feira santa, na celebração da Paixão e Morte do Senhor Jesus, quando o sacerdote ou o diácono apresentam à comunidade a cruz do Senhor, proclama por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”! A comunidade ajoelha-se e responde, dizendo: “ Vinde, adoremos”!
Eis a fonte de bênçãos de toda espécie que brota da cruz: Jesus, que abraçou a cruz e deu sua vida por nós!

A bênção com a cruz

Entre nós católicos, todas as bênçãos dadas pelo Papa, pelos bispos e pelos sacerdotes, quer sobre pessoas vivas ou falecidas, quer sobre residências, sobre objetos religiosos, sobre veículos etc, sempre se traça o sinal da cruz. Por quê? Porque foi do alto da cruz que Jesus conquistou todas as graças que já foram dadas e as que ainda serão concedidas. Traçar a cruz significa atrair e aplicar, sobre aquele ou aquilo que é abençoado, as graças e bênçãos de Jesus crucificado e ressuscitado.

Quando o Papa, o bispo ou o padre traçam a cruz para abençoar, dizem: “abençoe-vos o Deus todo poderoso, o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo”. (Essas palavras podem mudar um pouco, de acordo com o que esteja sendo abençoado). Todas as bênçãos do Pai providente, do Filho unigênito e do Espírito Santo foram conquistadas por Jesus cruscificado, e comunicadas agora por meio do sinal da cruz.

Traçamos todos os dias, diversas vezes, sobre nós, o “sinal da cruz”. Principalmente quando iniciamos alguma oração. É preciso fazê-lo consciente e não maquinalmente. Com devoção, e não como uma rotina vazia. Ao fazê-lo, em geral, dizemos: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Na verdade, é como se disséssemos (e podemos dizê-lo): “eu me abençôo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” Ou “eu inicio esta oração... esta refeição... este trabalho... esta viagem.., esta Missa... este terço... em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Não é obrigatório citarmos os nomes da Trindade quando fazemos o sinal da cruz. Podemos fazê-lo em silêncio, mas concentrados no sentido de que pela cruz salvadora queremos atrair bênçãos sobre nós. Alguém também poderia iniciar uma oração, um trabalho, uma refeição etc. dizendo no coração: “eu inicio.., em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, sem fazer o sinal da cruz.


Nosso culto à cruz

É muito significativo levarmos uma cruz no pescoço. De preferência com o corpo de Jesus sobre a cruz. Ela deve nos recordar que fomos “marcados” por ela, no Batismo, como “propriedade” de Jesus, e que, por isso, devemos viver como discípulos d’Ele. Ela deve nos lembrar sempre o infinito amor com que fomos amados por Jesus, que se entregou por nós, pela nossa salvação. Deve lembrar-nos do alto preço pago por Jesus pela nossa salvação e que, por essa razão, devemos nos empenhar ao máximo para conquistá-la, vivendo como bons cristãos. Assim usada, a cruz se torna um sacramental, fonte de bênçãos de proteção contra o inimigo tentador, contra as tentações criadas pelo mundo pagão, contra as contaminações espirituais das falsas religiões e de lugares contaminados. Ela se torna também uma fonte de bênçãos para praticarmos as virtudes, fazermos o bem a todos e evitarmos todo pecado, que anula a salvação conseguida por Jesus na cruz.

E fonte de bênçãos, também a cruz presente em nossos lares, colocada num lugar de destaque e visibilidade. Ela significa que ali há uma família católica que crê em Jesus, que deseja viver como cristã e espera receber a salvação. Também ali, presente como uma imagem de Jesus crucificado, pela fé consciente no poder do Senhor, torna-se fonte de bênçãos de proteção contra todos os males e enfermidades, e atrai as bênçãos de salvação e santidade conquistadas por Jesus na cruz, bênçãos de toda espécie para o casal, para os filhos, para a família e para a própria casa com o que nela há.

Em relação à cruz, deve-se manter sempre muito presente e consciente que seu significado se prende plenamente na pessoa de Jesus crucificado. Ele é a fonte de todas as bênçãos. Ela O recorda na maior prova de amor que Ele nos deu: sua vida até a morte de cruz.

 

(Fonte: Pe. Alírio José Pedrini, scj - Revista Brasil Cristão - Setembro 2009)

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